Geopolítica

Para Lavrov ocupação no Afeganistão não deteve o terrorismo e só fez aumentar o tráfico de drogas

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, foi enfático ao declarar que a intervenção americana, em conjunto com a OTAN, no Afeganistão, não fez diminuir o terrorismo porém só fez crescer o problema do tráfico de drogas. O pronunciamento foi feito durante uma coletiva para a imprensa, junto com militares russos, na última quinta-feira (23).

“A operação dos EUA contra o Talibã e a Al Qaeda foi apoiada por todos os países. Outra questão é que, depois de receber a aprovação internacional, os Estados Unidos e seus aliados da OTAN, que assumiram o controle no Afeganistão, começaram a agir de forma inconsistente, para dizer o mínimo”

Lavrov não mediu palavras ao avaliar a situação e além de ter considerado a ação dos EUA e da OTAN inconsistente, foi ao ponto central – o crescimento do mercado das drogas.

“Durante a operação no Afeganistão, a ameaça terrorista não foi erradicada, enquanto a ameaça das drogas aumentou muitos níveis acima”, garantiu o ministro russo.

A indústria das drogas realmente prosperou. Há evidências de que alguns contingentes da OTAN, no Afeganistão, fecharam os olhos à ilegalidade  do tráfico de drogas, mesmo que não estivessem diretamente envolvidos nesse mercado criminoso. Se bem que cumplicidade também é uma forma de participação indireta.

“O Afeganistão é um caso a parte, embora os acontecimentos atuais, que são resultado do fracasso da operação da OTAN, apesar da carta branca que o bloco recebeu da comunidade internacional, podem ser considerados uma causa de caos controlado não intencional. No Iraque, na Síria e na Líbia, esse caos foi criado intencionalmente”, avaliou Lavrov.

Lavrov está bem alinhado com o mundo acadêmico. Peter Dale Scott da Universidade da Califórnia escreve:

“Em vários países, do México a Honduras até o Panamá e o Peru, a CIA ajudou a montar ou consolidar agências de inteligência que se tornaram forças de repressão e cujas ligações de inteligência a outros países lubrificaram o caminho para embarques de drogas ilícitas”.

O notável historiador Alfred W. McCoy, da Universidade de Wisconsin, relatou a mesma coisa. McCoy começou a trabalhar nesta questão quando era um Ph.D. Candidato na história do Sudeste Asiático em Yale, em 1972. Ele acusou funcionários americanos “de tolerar e até mesmo de cooperar com elementos corruptos no tráfico de drogas ilegais do Sudeste Asiático por considerações políticas e militares”. (McCoy)

“As principais acusações foram que o presidente do Vietnã do Sul, Nguyễn Văn Thiệu, o vice-presidente Nguyễn Cao Kỳ e o primeiro-ministro Trần Thiện Khiêm, conduziram uma teia de narcóticos ligada com a máfia Córsica, a família de traficantes na Flórida e outros oficiais, militares de alto nível, no Vietnã do Sul, Camboja, Laos e Tailândia.  Esses, implicados por McCoy como sendo os generais laocianos Ouane Rattikone e Vang Pao e os generais sul-vietnamitas Đăng Văn Quang e Ngô Dzu “.

McCoy forneceu provas suficientes de que a CIA usou “mercenários tribais (indígenas, nativos)” em lugares como o Laos para manter seus negócios criminosos e de tráfico de drogas.

Em suma, Lavrov foi essencialmente desconstruindo a CIA quando disse que eles estão espalhando a corrupção em todo o mundo há décadas. Sempre que eles tiram uma pausa de comercializar o ópio, eles começam a perpetuar guerras e criar atentados de bandeira falsa no Iraque, Afeganistão, Líbia e agora na Síria.

A CIA certamente não está feliz com o que Lavrov disse. Esta é uma das razões pela qual eles odeiam a Rússia e tudo o que ela representa atualmente.

Em 2011, Lavrov já criticava os Estados Unidos por não destruírem as plantações de ópio no Afeganistão

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Na época o chefe da diplomacia russa insistiu no “imperativo da luta contra o tráfico de drogas afegão, em toda a cadeia de produção da droga, a começar pela destruição das plantações” e disse não entender porque a recusa americana em erradicar as plantações de ópio na região ocupada.

“Não conseguimos compreender porque é que os nossos parceiros norte-americanos não querem que a Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão se ocupe disso. Dizem que isso não resolverá o problema porque haverá dificuldades para a produção agrícola se destruírem as plantações de ópio”, pontuou Lavrov.

Na época, o Serviço Federal de Controle de Drogas da Rússia (FSKN), emitiu um estudo afirmando que no Afeganistão produz-se anualmente cerca de 150 bilhões de doses de heroína e cerca de 30 bilhões de doses de haxixe. Através do Tajiquistão e Paquistão, a droga afegã chega à Rússia e a outros países europeus.

Referência:

Veterans Today

DN

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