Sionismo

Israel e Estado Islâmico convivem sem se atacarem na região das colinas de Golã

Israel ignora grupo do Estado Islâmico que está baseada ao lado das colinas de Golã, no vale Yarmouk. A presença desse grupo do Estado Islâmico tão perto de Israel levanta muitas questões, como a possível colaboração entre ambas as partes.

O primeiro questionamento seria o porquê do Estado Islâmico não atacar Israel a partir da referida base? Da mesma forma por que a Força de Defesa de Israel (exército de Israel) ainda não atacou esse grupo de extremistas, que atualmente é pequeno e fraco, em sua fronteira? As respostas a essas perguntas mostram o que há por trás de tamanha passividade.

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O vale Yarmouk está encravado entre Jordânia, Síria e nos territórios ocupados por Israel nas colinas de Golã. O vale consiste em algumas pequenas cidades, a maioria das quais estão agora controladas pelo Estado Islâmico filiadas ao Liwa Shuhada al-Yarmouk ou Brigada dos Mártires de Yarmouk (BMY). Este grupo foi criado por Mohammad al-Baridi, conhecido por seu apelido “O Tio ‘, em 2012, no sudoeste da Síria, bem próximo de Israel.

O grupo começou relativamente moderado, com uma estreita aliança com o Exército de Libertação da Síria, este último apoiado por Estados Unidos, França, Reino Unido, Israel e outros aliados. Mas a moderação rapidamente se dissipou durante o curso da guerra civil síria.

O início de 2013 porém viu a Brigada dos Mártires ganhar poder no vale de Yarmouk. O grupo em 2013 passou a ter confrontos militares com Jabhat al-Nusra, o grupo sírio da al-Qaeda, que detinha o poder em Daraa (sudoeste da Síria). Isto levou ao assassinato de al-Baridi pela al-Nusra em novembro de 2015. Durante este tempo, o grupo construiu uma pequena área para si na orla de Daraa junto às colinas de Golã. A Brigada dos Mártires continuou a se distanciar da al-Nusra, enquanto ainda promovia leis islâmicas conservadoras.

A Brigada dos Mártires de Yarmouk começou, em 2015, a implementar reformas islâmicas. A política foi implementada sob al-Baridi (líder assassinado) que tentou “corrigir” as políticas do regime anterior. Isto incluiu a criação de um tribunal e de uma força de polícia islâmica. A Brigada dos Mártires também mudou o nome de seu departamento de governança para Diwan al-hisba – “Diwan” traduzindo do termo regional significa “Estado Islâmico”. O grupo até mudou seu logotipo para incorporar a bandeira do Estado Islâmico. Até o final de 2015 a Brigada dos Mártires de Yarmouk tornou-se um sub-grupo do Estado Islâmico apenas a poucos passos de distância de Israel que parece não se importar muito visto que o Estado Islâmico é um exército mercenário usado no projeto da criação da Grande Israel.

E de fato a aliança entre a Brigada e os terroristas significa que o Estado Islâmico agora compartilha uma fronteira com Israel. Em um dos discursos de al-Baghdadi – líder do Estado Islâmico morto no início de 2016 e que chegou a receber cuidados médicos de Israel – ele falou sobre a ocupação sionista, no entanto ele só se referia à área como “Palestina”, provavelmente em um esforço para evitar reconhecer tal “estado”, visando assim manter as aparências. Al-Baghdadi lembrou aos judeus da ‘Palestina’ que o Estado Islâmico não se esqueceu deles, mas pelo correr dos fatos, obviamente tudo não passa de bravatas.

A Brigada dos Mártires de Yarmouk já provocou indignação internacional quando em 2013, o grupo sequestrou cerca de 20 soldados das forças de paz das Filipinas que serviam as Nações Unidas. Eles mantiveram os reféns por duas semanas antes de liberá-los.

Lembrando que o sequestro se deu dentro de territórios ocupados por Israel e ainda sim isso não foi o suficiente para Israel atacar o grupo. Pelo visto Israel não anda muito preocupado e nem enxerga como ameaça um grupo capaz de atacar  soldados que servem a ONU.

Israel ataca os inimigos do Estado Islâmico mas não o Estado Islâmico

Israel teve vários ataques aéreos autorizados pela Síria durante a guerra civil no país. Estes ataques aéreos no entanto, não tiveram como alvo o Estado Islâmico ou a al-Nusra ou outros grupos jihadistas sunitas. Estes ataques foram direcionados aos grupos filiados aos xiitas, predominantemente o Hezbollah – grupo que reconhece o governo Assad e é inimigo do Estado Islâmico.

Israel, em setembro de 2014, também abateu um avião da Força Aérea Síria que penetrou no espaço aéreo de Golã: pela primeira vez desde a guerra árabe-israelense de 1973 que a Força de Defesa de Israel  atacou um veículo militar oficial da Síria. Israel mostrou durante a guerra civil síria, que está disposto a atacar aqueles que ameaçam sua integridade territorial mas não o Estado Islâmico, deixando claro que os terroristas fazem um trabalho sujo a favor do sionismo.

A Brigada dos Mártires de Yarmouk  entrou no território israelense e ainda sim nenhum conflito foi registrado. Na verdade houveram relatos publicados pela revista Foreign Policy, que Israel está longe de combater as milícias na fronteira de Golã e que, pelo contrário, a ocupação sionista estaria prestando cuidados de saúde aos militantes do Estado Islâmico.

Cerca de 1.000 “sírios”, em 14 meses receberam tratamento, de acordo com o tenente-coronel Peter Lerner. O tenente-coronel chegou a dizer – “nós não fazemos qualquer habilitação ou verificar de onde eles são ou qual grupo eles estão lutando, ou se são civis.”

Muitos se perguntam por que Israel tem uma postura tão relaxada em relação ao Estado Islâmico, quando na verdade é perceptível que o regime sionista aparelhou o Estado Islâmico.

É nítido que Israel não está focado em atacar o Estado Islâmico e grupos sunitas, mas sim os grupos xiitas na Síria. Os ataques aéreos de Israel atingem forças do regime Assad e o Hezbollah, mas nunca o Estado Islâmico ou a al-Nusra.

Uma correspondência entre a então secretária de Estado americano, Hillary Clinton e o conselheiro político Jacob Sullivan, sobre os objetivos de Israel na região, expuseram porque Israel ignora o Estado Islâmico. Em 2012, no início do conflito, Sullivan disse que havia “um lado positivo para a guerra civil na Síria.” Este dito “lado positivo”, para uma guerra que custou mais de 400 mil vidas era que, “se o regime Assad tombasse, o Irã perderia seu único aliado no Oriente Médio e seria isolado”. Isso iria agradar Israel, que sob o governo de Netanyahu não parou de fazer alarde de uma possível ameaça iraniana. Uma guerra que desestabiliza o aliado do Irã beneficiaria os interesses israelenses. Esta crença maquiavélica explica como o Estado Islâmico é usado para desestabilizar a região pelo eixo Londres-Washington-Tel Aviv.

O vale do Yarmouk ser tranquilamente controlado pelo Estado Islâmico é só mais uma amostra que Israel maquinou perfeitamente a balcanização da região e que, acima de tudo, mantém seus aliados bem próximos e protegidos.

Referência:

Open Democracy

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4 thoughts on “Israel e Estado Islâmico convivem sem se atacarem na região das colinas de Golã

  1. luz diz:

    É com extrema tristeza que visito seu site e vejo tanto ódio contra um povo especifico, espero de verdade que você se cure deste seu ódio e busque no seu interior as razões que te levam a isso. Sua forma de descriminação não cabe na sociedade moderna atual. Que você se cure em breve e possa de verdade atuar para melhorar a sociedade de forma ativa, todos temos como revelar o lado bom de nossa alma, sugiro que se engaje em trabalhos voluntários em comunidades carentes por exemplo!

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  2. O inimigo numero 1 de Israel agora é o Hizbullah, depois o Irã, e depois o Isis (Daesh) e tantos outro!!! Coitado de Israel ter que viver cercado de inimigos e ainda porcima blogs idiotas como este critica a unica democracia no oriente medio, ainde os cristãos ainda podem viver livremente

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  3. Pingback: Força aérea israelense ataca exército da Síria na região das colinas de Golã | panoramalivre

  4. Fernandes diz:

    Só teorias da conspiração.
    Até os ratos que andam pelo chão de sua casa, são criados pela CIA, alimentados por Israel e vacinados pelo Assad.
    Já experimentou Imodium?…

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