Sociedade

O narcotráfico a serviço dos EUA e aliados

Para muitos a afirmação é um escândalo: o governo dos Estados Unidos ajudou a armar os carteis de drogas mexicanos. Para outros tal afirmação não passa de um museu de grandes novidades.

O caso se deu no Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos ou em inglês, Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives (ATF) e sua desastrosa operação Velozes e Furiosos (Fast and Furious). O programa de “combate” aos carteis de drogas mexicanos se deu entre 2009 e 2011 – porém no mesmo período a operação conseguiu o oposto do “desejado”, colocando 2 mil armas nas mãos do cartel mexicano.

O escândalo voltou a tona após a prisão de Joaquín “El Chapo” Guzmán Loera, onde em sua casa secreta havia um arsenal de armas. El Chapo conseguiu escapar da primeira investida, na manhã do dia 8 de janeiro, feita pela Marinha mexicana graças a seus homens fortemente armados, mas veio a ser preso a tarde graças a denúncia sobre um carro roubado.

O interessante é que uma das armas usadas era tão somente uma Barrett calibre .50, segundo um agente especial da ATF, Tom Mangan. Na casa haviam ainda outras 10 armas.

Tais armas eram usadas pela ATF na operação “velozes e furisosos” e para muitos é chocante saber que iam parar direto na posse de grandes traficantes.

A partir de um março de 2013, o Departamento de Segurança Interna informou que apenas 105 das cerca de 2 mil armas “perdidas” tinham sido recuperados pelos investigadores da ATF que foram encarregados de segui-las. Outras 462 foram interceptadas no caminho pela polícia em ambos os lados da fronteira, muitas em cenas de crimes horríveis. Mais de 1.400 permaneceram desaparecidas e segundo Mangan, essas armas não serão recuperadas pelos próximos 20 anos.

No que diz respeito a apreensões os fatos assustam: em 2009 encontraram um rifle .50 e 41 fuzis AK-47. As armas tinha saído de Arizona menos de 24 horas antes – direto para as mãos do cartel de Sinaloa, segundo registros da ATF. Menos de três semanas depois, a polícia da cidade fronteiriça de Mexicali apreendeu 42 armas do cartel Sinaloa, juntamente com quase US $ 3 milhões em dinheiro.

Em março de 2010, os analistas de inteligência da ATF informaram ao Departamento de Justiça que mais de 1.000 armas tinha sido repassadas.

Agora, a descoberta de uma arma ligada a operação “velozes e furiosos” na última residência onde esteve El Chapo – sendo uma capaz de derrubar até helicóptero.

A melhor conclusão foi dada pelo Agente Mangan – “Nós da ATF armado o cartel … É nojento!”

O governo americano e o narcotráfico mundial

Esta não é a primeira vez que um órgão do governo americano é exposto devido a relações duvidosas com o tráfico de drogas. Em 24 de setembro de 2007, um avião da CIA, modelo Grumman American G-1159 Gulfstream II, foi abatido por helicópteros das Forças Armadas mexicanas carregando aproximadamente quatro toneladas de cocaína. O registro do voo (clique aqui) sequer tem o aeroporto de origem. Todavia o registro N987SA era muito conhecido na Colômbia, onde durante anos esse jato saiu de Bogotá com prisioneiros que eram extraditados para os Estados Unidos. Por fim, basta ver que o operador – dono do avião – é a Donna Blue Aircraft Inc. empresa localizadas na Flórida.

O encontro das FARC com Wall Street

5_raul_reyes_wall_street

Na música popular tivemos o encontro de Lampião com Eike Batista, mas em 1999 o presidente da Bolsa de Nova Iorque, Richard Grasso, se encontrou com um dos líderes da famosa Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC), o comandante Raúl Reyes. É curioso o fato de um homem de Wall Street ter que adentrar a selva colombiana para negociar uma missão de paz com um narcotraficante revolucionário. Mas como já vimos há muitas ligações entre o poderio americano e aqueles que tocam o tráfico de drogas mundial.

Livro mostra como o império britânico começou no mercado de narcóticos

51iohz0o3kl

Para aqueles que desejam saber a origem da relação entre potências globais e esse mercado oculto das drogas, recomendo o livro “Dope, Inc.” que expõe como os aparatos governamentais britânicos – entre eles o MI6 – usaram as drogas não só para se capitalizarem como também para sabotar outras nações.

O ópio no Afeganistão

Por fim, outro local bem conhecido onde os EUA gostam de interferir é no Afeganistão. As plantações de papoulas no Afeganistão alimentam um mercado de heroína e ópio de 65 bilhões de dólares que abastecem 15 milhões de viciados. Europa, Rússia e Irã consomem metade do estoque, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Não a toa, em 2010 a Rússia questionou o porquê dos Estados Unidos não destruírem as plantações de papoulas em suas operações militares no Afeganistão e o Irã foi mais além afirmando que as tropas de ocupação estrangeira incentivam a produção de drogas no país. Lembrando que desde 2001, inicio da ocupação das tropas lideradas pelos EUA, o cultivo de papoulas só aumentou.

Anúncios
Standard

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s